[Principios
Básicos]
[Como
funciona] [Monitoriamento
e Avalização]
Monitoramento
e Avaliação
O acompanhamento das ações e os resultados
das atividades realizadas pelas equipes do PACS/PSF são
monitorados pelo Sistema de Informação de
Atenção Básica (Siab). Criado em 1998,
foi pensado como instrumento gerencial dos Sistemas Locais
de Saúde, adotando como conceitos básicos
território, problema e responsabilidade sanitária,
completamente inserido no contexto de reorganização
do SUS no país, o que fez com que assumisse características
distintas dos demais sistemas existentes. Tais características
significaram avanços concretos no campo da informação
em saúde. Dentre elas, destacamos:
"
micro-espacialização de problemas de saúde
e de avaliação de intervenções;
"
utilização mais ágil e oportuna da
informação;
"
produção de indicadores capazes de cobrir
todo o ciclo de organização das ações
de saúde a partir da identificação
de problemas;
" consolidação progressiva da informação
partindo de níveis menos agregados para mais agregados.
O
Siab é um sistema de informação territorializado,
cujos dados são gerados por profissionais de saúde
das equipes de saúde da família, coletados
em âmbito domiciliar e em unidades básicas
nas áreas cobertas pelo PACS/PSF.
O
fato da coleta de dados se referir a populações
bem delimitadas tem possibilitado a construção
de indicadores populacionais referentes às áreas
de abrangência do Programa, que podem ser agregadas
em diversos níveis.
A agregação dos dados confere grande agilidade
ao Sistema, gerando uma informação oportuna,
no processo de decisão em saúde, o que tem
sido apontado com uma de suas vantagens.
Aliada
a esta característica, o seu grande nível
de desagregação favorece sua utilização
enquanto instrumento de planejamento e gestão local.
Entre os diversos Sistemas de Informação em
Saúde, é o que trabalha com o nível
de desagregação das microáreas.
O
Siab possui um amplo elenco de indicadores, permitindo a
caracterização da situação sócio-sanitária
e do perfil epidemiológico e o acompanhamento das
ações de saúde desenvolvidas.
Vale
destacar que se trata do único sistema de informação
de saúde que disponibiliza indicadores sociais, permitindo
aos gestores municipais monitorar condições
sócio-demográficas das áreas cobertas,
que só estão disponíveis neste nível
de desagregação nos anos censitários.
Os
limites do SIAB estão relacionados, principalmente,
à realização de análises que
requerem a individualização de dados, às
restrições relacionadas ao fato de só
abranger unidades básicas de saúde onde atuam
equipes de saúde da família, a problemas de
natureza tecnológica do sistema informatizado e ao
fato de apresentar um elenco muito extenso de variáveis
a serem coletadas e formulários a serem preenchidos.
Com
relação a esta última questão,
vale ressaltar que este não é um problema
específico do SIAB, mas reflexo da organização
histórica do próprio sistema de saúde
e de seus efeitos sobre os sistemas de informação.
A multiplicidade de formulários a serem preenchidos
nas unidades de saúde para atender às demandas
dos diferentes sistemas, a inexistência de uma cultura
institucional de análise e a pouca qualificação
dos profissionais de saúde no manejo de informações
tem implicado na pouca utilização de dados
pelos diferentes níveis do sistema, criando uma enorme
contradição na medida em que o esforço
de produção da informação em
saúde se sustenta na possibilidade de sua efetiva
utilização para o conhecimento da realidade
e para o processo de decisão.
Os
principais instrumentos de coleta do SIAB são:
"
Ficha de cadastro das famílias e levantamento de
dados sócio-sanitários, preenchida pelo agente
comunitário de saúde (ACS) no momento do cadastramento
das famílias, sendo atualizada permanentemente;
" Fichas de acompanhamento de grupos de risco e de
problemas de saúde prioritários, preenchidas
mensalmente pelos agentes comunitários de saúde,
no momento de realização das visitas domiciliares;
" Fichas de registro de atividades, procedimentos e
notificações, produzidas mensalmente por todos
os profissionais das equipes de saúde. Os dados gerados
através das fichas de coleta são, em grande
parte, agregados, e alguns deles são consolidados
antes de serem lançados no programa informatizado.
Uma vez processados os dados, são produzidos os relatórios
de indicadores do SIAB. São eles:
" Consolidado de famílias cadastradas - apresenta
os indicadores demográficos e sócio-sanitários
por micro-área, área, segmento territorial,
zona (urbana/rural), município, estado e região;
" Relatório de Situação de Saúde
e Acompanhamento das Famílias - que consolida mensalmente
as informações sobre situação
de saúde das famílias acompanhadas por área,
segmento territorial, zona (urbana/rural), município,
estado e região;
" Relatório de produção e marcadores
para avaliação - que consolida mensalmente
as informações sobre produção
de serviços e a ocorrência de doenças
e/ou situações consideradas como marcadoras
por área, segmento territorial, zona (urbana/rural),
município, estado e região.
Reformulação
do Siab - Desde o ano de 2001, levando-se em conta os limites
do Siab acima relacionados bem como a necessidade de racionalizar
a coleta de dados no nível local e o número
de sistemas e aplicativos, o MS vem trabalhando na perspectiva
de disponibilizar um sistema de informação,
que amplie seu escopo e extrapole os limites do PACS/PSF.
Ampliando
o conceito da atenção básica e das
atribuições desse nível de atenção,
atualmente vem elegendo o que seria objeto de monitoramento
a ser contemplado pelo sistema, de acordo também
com a Política de Informação e Informática
para o SUS.
As
discussões avançaram no sentido do Siab estar
incorporando variáveis e indicadores essenciais para
o monitoramento da atenção básica do
sispré-natal, Sis-Hiperdia, Siapi, SIA e Sistema
Bolsa-Alimentação além da integração
com o Sistema Cartão Nacional de Saúde, Sistema
do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde
(Scnes) e Sistema do cadastro nacional de usuários
e domicílios (Cadsus).
Inova
ao trazer para o contexto do monitoramento as ações
voltadas para a vigilância e a promoção
da saúde. Neste sentido, as discussões e definições
têm passado por todas as áreas que têm
interface com a atenção básica, garantindo
os avanços do Siab atual, já referidos anteriormente.
A
etapa final de reformulação do Siab está
prevista para o 1º semestre de 2004. A proposta que
vem sendo desenhada e o acompanhamento junto às secretarias
estaduais e municipais de saúde integra a política
de institucionalização da avaliação
na atenção básica, contribuindo para
a reorganização da atenção à
saúde.